Às vésperas do décimo infeliz aniversário de um dos piores ataques terroristas da história, documentários e reportagens analisam a tragédia sob diferentes prismas: o jogo de xadrez da política internacional, o panorama econômico, a tolerância religiosa. Sobreviventes, testemunhas e heróis daquele dia – policiais, bombeiros, paramédicos e voluntários – também ganham voz nos especiais produzidos pela imprensa.
Mas como o 11 de setembro impactou a vida de gente comum? Algumas respostas são dadas em “Generation 9/11 – So far, so close”, monólogo escrito e interpretado pelo americano radicado em Londres Chris Wolfe. O espetáculo fez parte da programação do Fringe, um dos maiores festivais de arte do mundo que é realizado anualmente em Edimburgo no mês de agosto.
Tive a oportunidade de assistir à performance, que dura pouco menos de uma hora.
Ao entrar, Wolfe pergunta à plateia: “Onde vocês estavam na ocasião?” Enquanto cada espectador vai relembrando o que fazia naquele dia, o ator interpreta uma dezena de histórias de jovens americanos, com idades entre 18 e 38 anos, a tal “geração 11 de setembro”.
São relatos emocionantes, tristes, até mesmo engraçados – como conter o riso, mesmo nervoso, diante do rapaz que cultivou uma paranoia irrefreável diante de pacotes “suspeitos” na estação de trem? Há também o desconforto da menina muçulmana que percebeu o olhar de desconfiança dos colegas de escola logo após os ataques. Ou o garoto que quer a todo custo se alistar na marinha americana. Os personagens, tão diferentes uns dos outros – homens, mulheres, ricos, pobres, religiosos, conservadores -, são atingidos por um sentimento único de perplexidade.
De acordo com o autor/ator do monólogo, com quem conversei dias atrás por e-mail, a peça foi escrita a partir de 150 depoimentos coletados em diversos colégios e universidades entre 2002 e 2010. As reações à catástrofe foram as mais diversas, conta Wolfe: entre a indiferença e o stress pós-traumático, das epifanias religiosas ao “terror sex” – termo que descreve a busca dos solitários nova-iorquivos por algum afeto pós-tragédia. Nove meses depois de 11 de setembro de 2001, o “terror sex” fez aumentar 20% o número de partos nos hospitais da Big Apple em relação ao movimento normal.
A peça não tem “moral da história” ou um desfecho. O monólogo serve de ponto de partida para que todos compartilhem seus sentimentos e lembranças – o que de fato acontece depois do espetáculo, quando algumas pessoas procuraram o autor/ator para conversar sobre o tema ou foram comentar o assunto no balcão do pub. Também é base para uma reflexão sobre o que realmente mudou no mundo depois daquela assustadora manhã de terça-feira.
E você, onde estava em 11 de setembro?

Eu estava dormindo tranquilamente, feliz, na minha aconchegante cama. Entra minha mãe no quarto e dá um grito “A guerra começou!!!”.
Fiquei por alguns segundos, esperando ouvir explosões e esperando meu prédio ruir, achando que a guerra era tipo, na minha casa.
Foi um ótimo jeito de acordar.
O texto é muito bom, porém, não me lembro onde eu estava … acho que acordei e minha mãe veio com o olho arregalado dizer: ¨Vc não sabe o que os terroristas aprontaram nos EUA …¨
Enfim … Parabéns ao americano Chris Wolfe que teve uma iniciativa originalíssima de criar o monólogo e também parabéns Patrícia, jornalista da qual sou cada vez mais fã …
Eu estava no intervalo do cursinho comendo um pão na chapa na padoca mais próxima, a tv estava ligada. De repente, os microfones do Plantão da Globo começaram a voar, como sempre fizeram, pela tela. Entrou a notícia da queda da primeira torre, e ninguém entendendo nada na padoca, logo que, ao vivo, um avião se aproximou da segunda torre…
A próxima aula era de História, o professor, um anti-americano declarado, começou o discurso com um belo “Bem feito p/ esses Yankees”, sem saber que na sala uma das alunas era filha de um norte-americano.
Bom, no dia 11 de setembro de 2001 – na hora que estava sendo noticiado o ataque, eu almoçava no centro de Santo André em uma padaria em frente a prefeitura. Acompanhei todas as informações pela televisão. Na época fiquei meio perdida porque não tinha consciência da proporção e do que éra um ataque ao WTC. Eu tinha 18 anos e trabalhava como desenhista de Autocad em uma empresa ao lado da tal padaria.
Eu estava no bairro de Santo Amaro, chegando na editora Motorpress, quando caminhando vi várias pessoas num boteco sujo de esquina olhando pra TV de 14′ quase no teto.
Na hora que vi, achei que estavam falando que um avião bateu no WTC das nações unidas, mas tava tanta bagunça que não entendi nada, ao chegar na editora haviam pouquissimas pessoas, ( jornalista chega tarde ) rs…
Ligamos a TV e só então tive noção da gravidade dos fatos, passamos boa parte da manhã assistindo tv e acompanhando a cobertura dos sites.
Mesmo estando muito longe, ficou um clima de tensão e aquele silência chato no ar.
Estava na Florida, arrumando minhas malas pra ir pra Miami e pegar o voo pro Brasil. Com o fechamento do espço aéreo fui obrigada a ficar mais uma semana nos Estados Unidos. Detalhe: apavorada!
Eu estava tendo aula de edição na FAAP quando a professora disse: “Tenho que ir pra redação porque caiu um avião nos Estados Unidos. No meio da cidade”. A gente deu aquela comemorada, de leve.
Logo nossa atenção se voltou para um pequeno tumulto que estava se formando na frente da televisão dos técnicos. Eu cheguei perto a tempo de ver o segundo avião batendo. Perguntei para alguém se era replay. A pessoa virou pra mim e disse, “Acho que é o fim do mundo!!”.
Cheguei no trabalho e estavam todos perplexos assistindo o SPTV. Ficamos o dia todo acompanhando as notícias pela internet e pela TV.
Terça-feira, 11 de setembro de 2001. TV ligada desde o telejornal “Global” Bom Dia Brasil. Já pronto para seguir a mais uma viagem de trabalho, eis que uma chamada de plantão dá a notícia sobre um “acidente aéreo” em NY, no qual uma das torres gêmeas do WTC havia sido atingida.
Até aí minha mente, pasma, tentava refletir sobre esse trágico fato, sem deixar de me influenciar sobremodo pelos jatos supersônicos que comumente “rugem” sobre minha cidade, Gavião Peixoto-SP, na qual se encontra o Pólo Aeronáutico (leia-se Embraer) com a maior pista de testes do Hemisfério Sul.
À frente da televisão me perdia em pensamentos e, sem tempo para ajustar minha cognição, assisto à segunda colisão, envolvendo a outra torre. Pronto. Colapso mental amplo e total. Seguem informações que declinam de acidente e apontam para atentados… Minha viagem acabara de ser postergada!
Ato contínuo é noticiado que outro avião se lançou contra o Pentágono. Mais alguns minutos e vinha a informação que outro caíra em Filadélfia. Cheguei ao ponto que só com a ajuda do Deep Blue poderia compilar as dimensões sugeridas por um suposto cenário apocalíptico.
Desse ponto, só me resta dizer que ainda bem a pergunta envolver apenas onde eu estava em 11 de setembro (de 2001), e não o que mudou na minha percepção de vida humana após este episódio.
Estava na empresa, onde era estagiaria de Comex (Comercio Exterior), quando o Diretor nos chamou para ver o acontecido. Chegamos bem na hora do segundo avião atingir a torre. Particularmente não mudou nada em minha vida, mas profissionalmente para o setor de Comex, a partir dali foi o marco de complicações.