Mundo afora, pipocam tentativas de reconstruir o capitalismo. E os modelos de ONGs e do setor privado se misturam no relativamente novo setor 2.5. Isso mesmo, setor dois e meio, iniciativas na metade do caminho entre o capitalismo selvagem e as organizações não governamentais. Também chamada de empreendedorismo social, essa nova forma de fazer negócios objetiva o lucro (como qualquer outro empreendimento), mas aplica todo ou parte dele para diminuir a pobreza, a desigualdade social e a degradação ambiental.
Nessa vertente, o norte-americano Blake Mycoskie fundou em 2006 a marca de calçados TOMS, que fabrica sapatilhas no estilo das antigas alpargatas. A lógica adotada pela empresa é simples: a cada par de sapatos vendido, a TOMS doa outro par (novinho em folha) a uma criança pobre em 23 países.
Apresentada na edição 2011 do Social Good Summit (seminário organizado pelo site especializado em redes sociais Mashable), a ideia surgiu depois de uma viagem de Mycoskie à Argentina, onde ele se deparou com crianças que viviam descalças, por não terem condições socioeconômicas de comprar sapatos. Sob o mote “one for one” (um por um), a TOMS já havia distribuído 1 milhão de pares de calçados em setembro de 2010. O sucesso estimulou a empresa a ampliar o leque de produtos: em junho de 2011, a marca passou a vender também óculos de sol. A cada venda, a empresa banca óculos de grau ou tratamento ocular a pessoas necessitadas mundo afora.
Hoje com 34 anos e vivendo a bordo de um veleiro em Los Angeles, Califórnia (EUA), Mycoskie acaba de lançar o livro Start something that matters (Comece algo que importe, em tradução livre), em que conta a trajetória da TOMS e dá dicas para quem pretende começar um negócio social.
Afinal, atualmente a palavra de ordem é sus-ten-ta-bi-li-da-de. Assim, pausadamente, porque o sistema não é de ferro para absorver o conceito de uma só vez. Apesar de apoiar uma boa causa, Mycoskie vem sendo alvo de críticas por terceirizar a fabricação para indústrias chinesas, sem controle das condições de trabalho locais. Segundo reportagem da revista Página 22, com custos de produção baixíssimos, os calçados – vendidos de US$ 29 a US$ 98 – são muito lucrativos, mesmo com as doações.
As críticas tecidas à TOMS mostram que negócios sociais também demandam um bom plano de negócios e uma estratégia bem azeitada para, de fato, contribuírem com a redução da pobreza, da desigualdade social e da degradação ambiental.
Para quem pensa em mergulhar nos negócios 2.5, Artemisia e Ashoka apóiam empreendimentos sociais no Brasil. Além de histórias inspiradoras, as duas entidades podem contribuir para a criação de novas iniciativas e desenvolvimento de projetos em andamento.
Esse post faz parte de uma série de posts sobre como o uso da tecnologia, redes sociais e a internet podem ajudar pessoas e ONGs ao redor do mundo.
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